terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

UGT REJEITA ATAQUES AO DIREITO À GREVE


Governo deve assumir responsabilidades e negociar com os sindicatos

A UGT ouviu e ponderou as recentes declarações da Ministra da Saúde, secundadas e respaldadas pelo Primeiro-Ministro, nas quais, a propósito da greve dos enfermeiros, foi desferido um profundo ataque ao exercício legítimo do direito à greve.

Nas várias declarações proferidas, foram suscitadas “questões éticas e deontológicas” e utilizadas expressões como greve “selvagem” e que atenta contra a “dignidade dos doentes”.

Mas afinal o que atenta realmente contra a dignidade dos doentes? 

Mas afinal o que coloca em causa o Serviço Nacional de Saúde?

É um Sindicato que convoca legitimamente uma greve? É um sindicato que cumpriu todos os procedimentos necessários a que a mesma se realize? É um sindicato que tem cumprido escrupulosamente – e mesmo excedido - os serviços mínimos fixados por um tribunal arbitral?

Ou será antes um Governo que tem sido incapaz de resolver os problemas e o estado de degradação que atingiu o Serviço Nacional de Saúde? 

Os atrasos insustentáveis e crescentes das listas de espera para as cirurgias, os anos que demoram a marcação de consultas de especialidade, a falta de condições em que trabalham os profissionais de saúde e com que os utentes se confrontam são também culpa dos sindicatos?

Isso sim coloca em risco a vida e a dignidade dos doentes!

E, cada vez mais, suscita questões éticas e deontológicas e convoca para uma reflexão sobre o nosso Serviço Nacional de Saúde e o nosso Estado Social!

O direito à greve, a fixação de serviços mínimos, a possibilidade de requisição civil têm um quadro próprio, conformado pela Constituição da República Portuguesa, pela lei, pelo Supremo Tribunal Adminstrativo e mesmo por compromissos internacionais do Estado Português com organizações como a Organização Internacional do Trabalho e o Conselho da Europa.

O direito à greve, dura conquista dos trabalhadores e dos sindicatos na nossa Democracia, é exercido livremente há décadas em Portugal.

A UGT não aceita e considera lamentável a criação de um clima de ameaça e de suspeição por parte de quem tenta esconder a sua inconsistência política, a incapacidade de quem não conhece e não sabe gerir o seu espaço e a falta de vontade para negociar com tentativas de desviar a atenção dos portugueses dos verdadeiros problemas e atacando e desconsiderando tudo e todos: o movimento sindical, as decisões de tribunais arbitrais, o entendimento anterior da Procuradoria Geral da República sobre a legitimidade deste tipo de greves e, em última instância, o próprio direito à greve, direito fundamental e instrumento legítimo de luta dos trabalhadores em qualquer Estado de Direito Democrático.

A UGT e os seus Sindicatos têm revelado sempre vontade e capacidade para negociar e atingir consensos e compromissos.

Cabe à Ministra da Saúde e a todo o Governo assumirem a mesma atitude, parar com os avanços e recuos permanentes que apenas descredibilizam os processos negociais, abandonar a estratégia de desgaste dos sindicatos e deixar de esconder a falta de respostas com ataques a direitos fundamentais como a greve.

Cabe à Ministra da Saúde e a todo o Governo pôr termo a um crescente e sempre indesejável clima de conflitualidade social e iniciar um esforço sério de negociação com os sindicatos que sempre revelaram abertura para discutir e resolver os problemas dos Profissionais de Saúde e do Serviço Nacional de Saúde.  

É este o repto que deixa a UGT.

Pelo Direito à Greve dos Trabalhadores!
Pelo Direito à Saúde dos Portugueses e pela Dignidade dos Doentes!
Pelo Serviço Nacional de Saúde, pelo Estado Social e pelo Estado de Direito Democrático!

O Secretariado Executivo da UGT

Lisboa, 5 de Fevereiro de 2019

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

UGT apoia as lutas da administração pública


- Pelo diálogo, pela negociação e pela melhoria dos salários e das condições de trabalho de todos os funcionários públicos
- Contra a degradação dos serviços públicos que a todos servem
Os sindicatos da Administração Pública filiados na UGT decidiram avançar para uma greve geral de todo o sector no próximo dia 15 de Fevereiro.
É uma greve da total e exclusiva responsabilidade do Governo. Enquanto empregador, tem demonstrado profunda indisponibilidade, na generalidade dos processos negociais, dando um mau exemplo para o sector privado e para o País sobre o que deve ser o real espírito de negociação e de compromisso. A negociação dos salários para os funcionários públicos, ou a falta dela (porque negociar não é só reunir), é um claro exemplo de uma injustificada intransigência. A situação económica do País, a melhoria das contas públicas, a criação de almofadas financeiras e a antecipação dos pagamentos aos credores internacionais tornam evidente que estão reunidas todas as condições para que o Governo garanta, em 2019, um aumento dos salários para todos os funcionários públicos, facto que a UGT já reclamava em 2018, mas que o Governo, obstinadamente, recusou. Sempre defendemos a necessidade de consolidação orçamental, mas também sempre rejeitámos uma política regida pela obsessão do défice e da dívida, que o Governo – mesmo numa situação económica mais favorável – insiste em manter, e de que tanto acusou o Governo anterior, quando o PS estava na oposição. O que é prioritário? Obter défice zero em 2019? Ou valorizar os funcionários públicos e garantir o investimento necessário para que os serviços públicos e o Estado Social escapem à situação de ruptura e degradação a que temos vindo a assistir?
A política salarial do Governo está centrada, quase exclusivamente, na melhoria dos mais baixos rendimentos, o que do ponto de vista da equidade social até pode parecer sensato e justo. Mas a verdade é que a melhoria dos salários destes trabalhadores nem sequer se equipara aos aumentos salariais aplicados aos pensionistas.
Na prática, esta política salarial acaba por aprofundar sacrifícios e injustiças, sempre à custa daqueles que foram os mais lesados durante o período da crise, os trabalhadores mais qualificados e com salários médios ou acima da média, que viram os cortes nos seus rendimentos aplicarem-se ao longo de demasiado tempo e de forma dramática, para não dizer violenta em muitos casos.

terça-feira, 17 de julho de 2018

REFORÇAR OS DIREITOS DOS TRABALHADORES E A NEGOCIAÇÃO COLECTIVA RESPEITAR E CONCRETIZAR OS ACORDOS DE CONCERTAÇÃO SOCIAL

No passado dia 6 de Julho teve lugar o debate parlamentar sobre alterações à legislação laboral, no qual a UGT esteve presente com uma forte delegação sindical, em que estiveram em discussão com o Governo - representado pelo Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social - as medidas constantes do Acordo Tripartido “Combater a Precariedade e reduzir a Segmentação Laboral e promover um maior dinamismo da Negociação Coletiva", assinado na concertação social a 18 de Junho. A proposta de lei apresentada pelo Governo, que visa dar concretização aos consensos resultantes daquele acordo, irá ser objecto de votação global na Assembleia da República a 18 de Julho, devendo seguir-se um período de discussão e apresentação de propostas em sede de Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social, não apenas sobre esta proposta de lei, mas igualmente sobre um conjunto de projectos de iniciativa de diversos grupos parlamentares, entretanto já aprovados. A UGT reafirma, neste momento, que considera que este é um acordo importante para os trabalhadores e para o País, não apenas por conter um conjunto de medidas fulcrais para afrontar os principais problemas do nosso mercado de trabalho e para reverter algumas das injustificadas alterações que foram assumidas durante o período da Troika, mas ainda assegurar que essa mudança se irá operar num clima de estabilidade, paz e coesão sociais, que não pode deixar de ser valorizado. A UGT, mais uma vez, apela a todos os responsáveis políticos, sobretudo àqueles que têm na sua matriz o respeito pelo diálogo social, para que – sem prejuízo da autonomia e das competências próprias da Assembleia da República - reconheçam, valorizem e viabilizem em sede parlamentar os consensos obtidos na concertação social, no pleno respeito pela legitimidade dos parceiros sociais e do papel que estes podem e devem ter, especialmente quando estão em causa matérias que a eles, em primeira linha, dizem respeito.
UM NOVO IMPULSO À NEGOCIAÇÃO COLECTIVA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A VALORIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO É PRIORITÁRIA
O protocolo para a negociação coletiva para o ano 2018, que o Governo assinou com a FESAP a 14 de Fevereiro, está longe de ser cumprido, nomeadamente no que diz respeito às questões relacionadas com as carreiras profissionais, a saúde ocupacional e os instrumentos de gestão, colocando seriamente em causa os objectivos para os quais este protocolo foi assinado, em particular os que apontam para o desenvolvimento e reforço do diálogo social na Administração Pública.
A UGT reconhece o esforço feito, sobretudo no sector da Saúde, para o alcance de acordos (já publicados) e entendimentos que possibilitaram a aplicação das 35 horas de trabalho semanal a quase todos os cerca de 40 mil trabalhadores, a quem esse horário não era aplicado, e a harmonização de direitos entre regimes contratuais divergentes, mas não compreende o motivo pelo qual na Região Autónoma dos Açores este horário não esteja já a ser aplicado.
Por outro lado, a UGT considera inaceitável que continuem a existir posições que consideram “precipitada a redução do horário de trabalho”, uma vez que não estamos perante mais do que a mera reposição de um período normal de trabalho que nunca deveria ter sido alterado.
Tais posições, contrárias ao fomento de uma sociedade mais justa e desenvolvida, fundamentam-se, apenas e só, no vincado carácter ideológico de quem as profere.
No entanto, esse esforço de concretização dos compromissos assumidos, apesar de importante, é insuficiente e terá, inevitavelmente, de estender-se a todos os sectores da Administração Pública, nomeadamente à Educação, à Justiça, aos Registos e Notariado, aos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica e, muito em particular, às carreiras não revistas, as quais permanecem “paradas no tempo” há mais de uma década, pelo que a UGT reitera o seu apoio a todas as formas de luta que os seus sindicatos, em cada momento, julguem necessárias para o alcançar de soluções para os problemas dos trabalhadores.
A UGT considera que, apesar desses esforços pontuais, o Governo não está a desenvolver, nem a prosseguir, uma estratégia integrada de valorização das carreiras da Administração Pública, optando por uma política de gestão reactiva que tem levado os trabalhadores a acreditarem que é apenas através da insistência da luta na rua que as suas reivindicações podem mais facilmente ser consideradas.
A UGT recusa esta visão e rejeita que seja esse o único caminho a seguir para defender os direitos dos trabalhadores, pelo que defende o desenvolvimento imediato de processos negociais abrangentes sobre as condições de trabalho, incluindo salários, e que resultem no alcance de respostas concretas para dotar toda a Administração Pública de carreiras valorizadas e bem estruturadas, que motivem os trabalhadores, fomentando e premiando a excelência, sem quaisquer tipos de exclusões, limitações ou apagamentos de tempos de serviço prestado que tornem impossível para a vasta maioria dos trabalhadores almejar, sequer, o alcance do topo da respectiva carreira.
A inabilidade para avaliar e agir sobre as reais necessidades do sistema de carreiras da Administração Pública, a par da dificuldade que os vários ministérios e serviços estão a demonstrar para a efectiva implementação do PREVPAP, numa altura em que são divulgados números que demonstram um aumento do trabalho precário na Administração Pública, não deixam margem para grande optimismo por parte dos sindicatos do sector.
A UGT reafirma e apoia a total disponibilidade dos seus sindicatos para que, em sede própria, e sem negociações paralelas com agentes norteados por objetivos eleitoralistas, que colocam em causa o próprio conceito de negociação colectiva, envidem todos os esforços no sentido do cumprimento integral, mesmo que com atrasos, dos compromissos existentes, criando as bases para que a negociação colectiva na Administração Pública possa desempenhar o seu papel central no desenvolvimento do sector e o Estado possa assumir-se como um exemplo no mundo laboral português.
A UGT e os seus sindicatos exigem ainda que o Governo proceda a um rigoroso levantamento das necessidades de pessoal nos serviços da Administração Pública, base essencial para que, de forma negociada e preparada, seja reposto o número de efectivos necessários ao seu bom funcionamento e se evitem os aproveitamentos políticos e as especulações que se têm vindo a verificar e que apenas têm contribuído para a instabilidade dos serviços públicos.
CENTRO DE RELAÇÕES LABORAIS - PELA DEFESA INTRANSIGENTE DO DIÁLOGO SOCIAL TRIPARTIDO
O Centro de Relações Laborais (CRL) é um organismo de composição tripartida que funciona na dependência do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, com funções técnicas, nomeadamente de acompanhamento da implementação dos acordos de concertação social, nas áreas da negociação colectiva e do emprego e formação profissional.
A entrada em funcionamento do CRL, em 2015, foi a concretização de uma reivindicação de longa data da UGT, que sempre se bateu intransigentemente pela sua criação desde o primeiro compromisso tripartido que a previa, em 1996, por considerar que o mesmo poderia desempenhar um papel central na dinamização da negociação colectiva, no aprofundamento do conhecimento da realidade negocial, na capacitação daqueles que assumem a negociação no dia-a-dia e, em última instância, na própria melhoria das relações laborais.
Deve ser sublinhado que, além das importantes funções que lhe estão cometidas, o CRL é igualmente uma instância com um carácter inovador, em virtude do seu modelo de funcionamento.
Com efeito, sendo um organismo da Administração Pública, não apenas tem composição tripartida e equilátera – é constituído por representantes do Governo e dos Parceiros Sociais, de uma forma rigorosamente equilátera – como a sua Presidência é assegurada, de forma rotativa e por períodos de um ano, por um representante de cada um dos grupos nele representado (Trabalhadores, Empregadores e Governo).
Nesse quadro, a primeira presidência foi assumida pela UGT, a segunda pela CIP, sendo actualmente assegurada pelo IEFP, em representação do Governo.
A assunção de cargos em qualquer organismo, e sobretudo em organismos com a natureza e a relevância do CRL, implica e deve implicar a noção de todos os que nele participam indirecta ou directamente – organizações que nomeiam e os representantes por elas nomeados – de que essa participação acarreta, não apenas o gozo dos direitos que a lei lhes atribui, mas igualmente, e porventura sobretudo, o pleno cumprimento de todos os deveres que lhes estão cometidos.
No caso do CRL, tal significa não apenas o direito/dever de uma participação efectiva que contribua para o bom funcionamento dos trabalhos, mas igualmente a responsabilidade de, dentro do quadro da rotatividade estabelecida, assumir a presidência do organismo.
A CGTP, por carta enviada ao Presidente do CRL, veio anunciar a sua indisponibilidade para, conforme lhe competiria para o período de 2018-2019, assumir a presidência daquele organismo.
A UGT deve sublinhar que considera inaceitável que qualquer organização, ou qualquer dos representantes por elas nomeados, não estejam disponíveis para assumir a plenitude dos direitos e deveres inerentes à sua participação no CRL, colocando-se na posição de assumir direitos e descartar responsabilidades.
Tal é tão mais gravoso quando, e atendendo às competências atribuídas e à composição do CRL, vem de quem se afirma como defensor da negociação colectiva e dos direitos dos trabalhadores, sendo uma postura apenas entendível porque vem de uma organização que sempre se colocou, de facto, à margem do diálogo social tripartido.
Tal é tão mais notório quando é um dos representantes da CGTP no CRL, e membro da Comissão Executiva daquela Central, que «considera que, tal como a Concertação Social, o CRL “é um fato feito à medida” de outros interesses».
Quem também afirma publicamente que «não aceita presidir a um órgão com o qual discorda e que tem “outras prioridades e mais que fazer», deve estar disposto a assumir até ao fim todas as consequências do seu posicionamento.
Pelo lado da UGT, não deixaremos de defender que esta é uma questão que, pela sua gravidade, e de forma a garantir a sua irrepetibilidade, nesta ou noutras sedes, deverá levar ao apuramento cabal das consequências que, aos níveis pessoal e institucional, resultam da atitude da CGTP e dos seus representantes no CRL.
UGT esteve na primeira linha da criação da concertação social em Portugal, assim como da criação do próprio CRL, rejeitando no passado, como o fará no presente e no futuro, todas e quaisquer tentativas de minar o funcionamento de quaisquer instâncias do diálogo social tripartido no nosso País, porque – não se duvide – é isso que está em causa.
A UGT ESTARÁ SEMPRE NA PRIMEIRA LINHA, COM TODAS AS FORÇAS DOS SEUS DIRIGENTES E FILIADOS, EM DEFESA DO DIÁLOGO SOCIAL E DA CONCERTAÇÃO SOCIAL EM PORTUGAL, COMO BASE FUNDAMENTAL DA PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA DA SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA, NO DESENVOLVIMENTO DO FUTURO DO NOSSO PAÍS E NA MELHORIA DAS CONDIÇÕES DE VIDA DOS PORTUGUESES.
Aprovado por unanimidade.
O Secretariado Nacional da UGT