quarta-feira, 18 de maio de 2016

RESOLUÇÃO DO SECRETARIADO NACIONAL DA UGT

Em face da discussão actualmente efectuada na sociedade portuguesa, no Parlamento e na Concertação Social, sobre algumas matérias de índole reivindicativa para os trabalhadores, e perante os compromissos assumidos pelo actual Governo sobre a reversão de muitas medidas de austeridade que sacrificaram os trabalhadores e os rendimentos do trabalho, importa reafirmar algumas reivindicações que, em momentos anteriores, já fizeram, e continuam a fazer, parte da política de exigências da UGT aos parceiros sociais e ao Governo, a saber:  
NÃO À OBSESSÃO PELO DÉFICE  
A UGT reafirma a sua inequívoca rejeição à pressão criada pelas Instituições Europeias, com ameaças de sanções a Portugal em caso de eventual défice excessivo das contas públicas.  É inaceitável a delapidação do princípio fundacional da União Europeia da solidariedade entre Estados,com uma ameaça tão evidente que só poderá ter, como consequência, um agravamento das condições de vida dos trabalhadores e das suas famílias, o seu contínuo empobrecimento, e coloca em causa a própria recuperação económica de Portugal.  
Deve, por isso, o Governo português protestar veementemente perante a Comissão Europeia por mais esta demonstração da obsessão pela austeridade, tão do agrado da tecnocracia comunitária, mas que em nada promove e dignifica a imagem da União Europeia perante a generalidade dos cidadãos europeus.  
O RESPEITO PELO DIÁLOGO SOCIAL COMEÇA E TERMINA NA BOA-FÉ DAS PARTES  
Foi com estupefacção e incredulidade que, no dia de hoje, o Secretariado Nacional tomou conhecimento da decisão do Banco BPI de despedir cerca de 1000 trabalhadores
   
Tendo havido, na semana anterior, uma reunião entre os sindicatos da FEBASE e o Banco BPI, onde nada transpirou sobre esta decisão, e não acreditando a UGT, ou os seus sindicatos, que nada sobre esta decisão não estivesse já a ser congeminada no seio da alta direcção do Banco, lamenta-se profundamente o clima de má-fé negocial com que a Banca e alguns banqueiros tratam o diálogo social – a pontapé e de barriga para a frente.  
Como se os trabalhadores bancários e o País não tivessem já sofrido o suficiente com a gestão danosa de vários Bancos e com os contribuintes a suportar os custos dessa má gestão, e os bancários a sofrer na pele e nas suas vidas a violência dos despedimentos e das rescisões.  
Por tudo isto, a UGT exige respeito aos senhores banqueiros, designadamente ao BPI, perante tamanha ocultação de dados que só agravarão a situação de desemprego que o País enfrenta e a que todos deveríamos estar unidos em combater.  
Não parece ser essa a preocupação do Banco BPI, o que lamentamos e rejeitamos em absoluto.  A UGT está solidária com todas as acções que os seus sindicatos do sector entendam vir a tomar, na defesa dos postos de trabalho dos trabalhadores do sector e, em particular, do Banco BPI.  
35 HORAS DE TRABALHO SEMANAL - UGT NÃO ACEITA DISCRIMINAÇÕES  
A UGT defende que as 35 horas de trabalho semanal devem entrar em vigor no próximo dia 1 de julho para todos os trabalhadores da Administração Pública, independentemente do seu vínculo.  
Reivindicamos especial atenção para os trabalhadores com Contratos Individuais de Trabalho, como é o caso dos trabalhadores dos Hospitais EPE, já que TODOS desempenham funções públicas.  
   
A UGT não compreende, nem aceita, quaisquer propostas que impliquem uma aplicação de forma faseada das 35 horas, até 31 de dezembro de 2016 (seja qual for o pretexto) porque só assim se poderão evitar situações de injustiça e discriminação entre trabalhadores.  Sendo esta uma medida há muito anunciada pelo actual Governo, e pelo próprio Primeiro Ministro, o que muito valorizamos, o Executivo estará certamente na posse dos elementos necessários, através do estudo que realizou e cujas conclusões nunca foram tornadas públicas, para prevenir as eventuais dificuldades da sua aplicação sem necessidade de a prolongar no tempo.   
ADSE  
A UGT defende uma ADSE pública, ao serviço dos seus beneficiários que a suportam integralmente através de 3,5 % de desconto sobre os seus salários e pensões. Entendemos que, parte deste valor, deve ser suportado, também, pelas entidades empregadoras públicas.  
Sendo a ADSE suportada totalmente pelos seus beneficiários, é de toda a justiça que estes participem e tenham voz ativa nas alterações que se pretendem implementar e, por isso, a UGT exige a reavaliação da tabela do regime convencionado, cuja entrada em vigor se prevê para dia 1 de junho de 2016.  
REFORÇO DA CONCERTAÇÃO SOCIAL E DA NEGOCIAÇÃO COLETIVA  
A UGT continuará, como sempre o fez, a defender a valorização da concertação social e o reforço da CPCS na definição das politicas económicas e sociais.   
A negociação coletiva assume, neste contexto, uma importância fundamental para reequilibrar as 
relações de trabalho, que desde 2012 sofreram um claro desequilíbrio em detrimento dos trabalhadores e pensionistas.  
Daí que a UGT registe, como factor positivo, a discussão sobre a reintrodução no Código do Trabalho do “princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador”.  
Continuaremos a defender que a organização e a redução do tempo de trabalho para as 35 horas, no setor privado, seja remetida para a competência dos Sindicatos na esfera da negociação coletiva, atendendo às especificidades de cada sector, e tendo em conta as perdas sofridas nos últimos anos, quer respeitante aos feriados, entretanto repostos na íntegra, mas também quanto à reposição dos 25 dias úteis de férias, por entendermos tratar-se de uma questão da mais elementar justiça, sobretudo tendo em conta que o período de ajustamento económico e financeiro foi ultrapassado.  Como atrás se referiu, a negociação colectiva assume um paradigma na regulação das relações de trabalho, no combate às desigualdades, na promoção do emprego e de condições de trabalho mais digno e na obtenção de resultados para a economia portuguesa que favoreçam o seu crescimento.   
Assim, o Secretariado Nacional da UGT, reunido em Lisboa, no dia 18 de Maio de 2016, reafirma a sua inteira disponibilidade e proactividade na procura de soluções bilaterais e multilaterais que fomentem a concertação social, o diálogo e o sentido do compromisso, quer com o Governo, quer com os restantes parceiros sociais, contribuindo decisivamente para o esbatimento de uma alegada tentativa de atirar trabalhadores contra trabalhadores, como se os sectores público e privado não tivessem no seu seio, simplesmente, TRABALHADORES.   
O Secretariado Nacional da UGT 
Aprovado por unanimidade e Aclamação  
Lisboa, 18 de Maio de 2016  

quinta-feira, 28 de abril de 2016



3515 pessoas morreram na União Europeia devido a um acidente declarado de trabalho em 2012 – último ano sobre o qual a UE reuniu estatísticas. 100.000 pessoas morrem todos os anos devido a cancro contraído no local de trabalho.
A União Europeia pouco fez nestes últimos anos para reforçar a proteção dos trabalhadores contra as doenças e os acidentes ligados au trabalho, apesar das novas tecnologias e das inovações terem criados novos riscos evidenciados pela pesquisa médica.
“Os trabalhadores precisam duma melhor proteção”, declarou Esther Lynch, Secretária Confederal da Confederação Europeia de Sindicatos (CES). “Novas leis são necessárias, já!”
“A maneira mais eficaz e efetiva de proteger os trabalhadores contra as doenças e os acidentes nos locais de trabalho, consiste em promulgar novas leis a nível europeu e nacional. A proteção da saúde dos trabalhadores não pode ser desregulada ou privatizada. Leis sólidas devem ser suportadas por uma implementação firme e uma rede robusta de representantes dos trabalhadores para a saúde e segurança.”
A CES exige a implementação urgente de novas leis na área da saúde e segurança no trabalho para proteger os trabalhadores.
• Implementar em 2016 – em vez de remeter para 2020 – os valores limite de restrição da exposição profissional para pelo menos 50 substâncias cancerígenas em vez das 5 reconhecidas atualmente;
• Apresentar novas regulamentações sobre:
 - Nano-partículas
 - Riscos psicossociais, incluindo o stresse, a violência e o assédio;
 - Dores de pescoço, costas e cotovelos.
Está a decorrer a revisão por parte da UE duma diretiva sobre os agentes cancerígenos e mutagénicos depois de 12 anos sem qualquer modificação!
Na sequência das pressões sindicais, a Comissão Europeia prometeu para este ano, progressos para melhor do cancro os trabalhadores. A Comissão continua no entanto a ignorar as exigências dos sindicatos, Parlamento Europeu e dos Estados Membros para uma legislação sobre os nano-materiais. (*)
Lynch reitera que: “ As preocupações ligadas aos custos de adaptação regulamentar pelas empresas ignoram os custos para os trabalhadores e os seus familiares e não podem impedir a ação para prevenir os acidentes e as doenças nos locais de trabalho.”
Além do número inaceitável de vítimas, as provas que uma ação é necessária são evidentes:
• Entre 2010 e 2015, a percentagem de trabalhadores manipulando produtos químicos e de matéria infeciosa aumentou; (**)
• Metade dos trabalhadores estima que o estresse ligado ao trabalho é um problema frequente nos locais de trabalho; (***)
• Mais de 2 trabalhadores em 5 trabalham em posições dolorosas ou cansativas durante um quarto do tempo de trabalho ou mais. (**)
https://www.etuc.org/press/nanomaterials-commission-ignores-wishes-parliament-council-and-trade-unions#.VyHK1s6cHcd
**http://www.eurofound.europa.eu/fr/publications/resume/2015/workingconditions/first-findings-sixth-european-working-conditions-survey-resume 
*** https://osha.europa.eu/fr/themes/psychosocial-risks-and-stress